sábado, 16 de maio de 2009

Lisboa 16/17 Maio

Há boas viagens de comboio. A sensação assemelha-se a serenidade. Começa nas memórias que a estação nos traz, de muitos verões; acaba no imaginar de como seria, se, para conquistar um sonho, apanhasse esse comboio duas vezes por semana... Uma carruagem quase vazia, e a paisagem a gozar um sol não muito forte, e os 200 km/h que parecem ser percorridos lentamente. A um certo momento comecei a dar valor a estar sozinha. Num comboio, num autocarro, no estrangeiro, a ver um filme... Ouvir a mesma playlist, a única do ipod, e em vez de trazer o aperto na garganta, e deixar os olhos inchados no outro dia de manhã, só passa a calma. Quase confundiria com indiferença, se não fosse na primeira pessoa. Só se pensa no que foi, no que se ganhou, no que ainda se tem, nos finais jogados limpo. E parece que se foi a ânsia, a dúvida, os 'se's. Sensação parecida com a que tinha sentido no dia anterior, mesmo podendo demorar um ano para voltar a falar (ouvindo a voz e olhando os olhos) com alguém. Possa ser encarado como um sinal? De facto, alguém estar no sítio certo à hora certa, pode ser um porto seguro e um ombro. Até tem piada, no fundo vai sempre dar a ombros. Seja ou não com os olhos embaciados, são abraços. Aprendi que não importa com que força queremos partilhar um momento, um ponto final, algo significativo, podemos simplesmente ser incapazes de o escrever. Fica uma lista de músicas que não deixa os nossos segundos fugirem. Começar de novo. Vai valer a pena ter amanhecido.

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