sexta-feira, 13 de março de 2009

As cidades e a memória.1

Partindo-se dali e andando três dias para Levante o homem encontra-se em Diomira,cidade com sessenta cúpulas de prata,estátuas de bronze de todos os seus deuses,ruas pavimentadas a estanho, um teatro de cristal e um galo de ouro que canta no alto de uma torre todas as manhãs. Todas estas belezas o viajante já conhece por tê-las visto também noutras cidades. Mas a propriedade desta é que quem lá chegar numa noite de Setembro,quando os dias já diminuem e as lâmpadas multicores se acendem todas ao mesmo tempo por cima das portas das lojas de peixe frito, e de um terraço uma voz de mulher gruta : uh! , lhe apetece invejar os que agora pensam que já viveram uma noite igual a esta e que então foram felizes.
As Cidades Invisíveis , Italo Calvino

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